Acadêmicas: Marivalda Lima, Misiara Santos,
Neusa Matte, Rozineide Maia
1. O CAMINHO DO MITO AO LOGOS

Inicialmente o autor aborda que a cultura e a civilização ocidental têm seus fundamentos na filosofia grega e, por ela são determinadas até os nossos dias.
Antes de Sócrates e Platão, as palavras filosofia e filosofar eram em acepções que iam desde a cultura do espírito em geral até o exercício de um esforço para adquirir conhecimentos novos. Com Sócrates e Platão essas palavras adquirem precisão não para designar não a posse, mas o desejo ou o amor a sabedoria, Platão acrescenta-lhe o sentido paradoxal de ciência da ignorância ou saber de não saber, porque o filósofo nem de todo sabe e nem e todo não sabe, vivendo entre a ignorância absoluta e a posse plena da sabedoria. Mas, o verdadeiro filósofo para Platão, é aquele que, desde a juventude, deseja e procura a verdade integral.
No oriente, a sabedoria é patrimônio de castas sacerdotais que tem a grande preocupação de transmitir a herança dos antepassados em sua pureza. A sabedoria oriental fundamenta-se, pois na tradição, enquanto a filosofia grega pensa e reflete criticamente a tradição, os costumes e as crenças dos antepassados em busca da verdade.
Através da história, a filosofia se ocupa com a busca do sentido do ser. Neste sentido originário, todo homem é filosofo, pois todos perguntam de outra maneira pelo sentido do ser, pelo sentido da existência humana.
Entretanto como reflexão sistemática e rigorosa a filosofia surgiu em determinado momento histórico, ou seja, cerca do século VI a.C., na Grécia, já então com os pensadores pré-socráticos, os filósofos jônios, os eleáticos, Heráclito e os pitagóricos confiavam plenamente na capacidade (de conhecer a verdade) da razão humana. Porém o conhecimento ainda não o constituía mesmo um problema.
Foi Aristóteles quem salientou melhor a “sabedoria” (Sofia) como objeto. Definiu a filosofia como ciência do ser enquanto ser, abandonando os mitos aos poetas, que explicavam a origem da natureza através de explicações fantasiosas. A função do logos consiste em revelar a verdade oculta nos mitos.
O mito trata das mesmas coisas que a filosofia: a origem e gênese do mundo, o fenômeno da vida, o sentido da existência humana, o futuro e a imortalidade, a necessidade e a liberdade. Mas o mito tenta a solução dessas questões através de meios diferentes, extraindo os conceitos e as representações da vida humana. A filosofia é o pensar crítico, o esforço racional e autônomo em confronto com a crença e a sociedade.
A contemplação é um modo de se posicionar diante do mundo com o objetivo de compreendê-lo e explicá-lo de maneira objetiva com os olhos da razão do logos. Relaciona a mudança com algo que sempre permanece idêntico. Chega á conclusão de que a vida deve ser inteligível para nós sem recurso aos oráculos e as adivinhações.
O primeiro filósofo, segundo Aristóteles, foi Tales de Mileto (séc. VII-VI a.C.). Tales aparece como iniciador da filosofia por causa do seu esforço em buscar o princípio único de explicação tudo o do mundo.
Tudo se origina da água. Isto significa que a physis teria um único princípio (arché) esse elemento natural que se encontra presente em tudo. A água é o princípio vital de tudo.
Para Heráclito o mundo se explica pó causa das contradições, pelos contrários. Parmênides já pensa o contrário, formulando o problema do ser.
Para Demócrito, se as coisas recebem diferentes nomes (doce, amargo), isso acontece por mera convenção humana, pois na realidade apenas existem o átomo e a sua ausência, ou seja, o vazio.
Os sofistas ou sábios. Esses na verdade não se interessam pela verdade absoluta e última. Dedicam-se a ciências humanas e práticas, como retórica política e a arte e discutir com êxito. Protágoras (480-410 a.C.) o primeiro sofista, diz que o homem é a medida e todas as coisas.
Os sofistas não constituíam uma escola. Apresentavam diferentes soluções para os mesmos problemas, representando correntes várias.
Por causa do seu relativismo, os sofistas foram odiados. Muitos sequer os consideravam filósofos. Até hoje a palavra sofista tornou-se sinônimo de demagogo e sofisma sinônimo de falso argumento.
2. FUNDAMENTOS A CULTURA OCIDENTAL
Neste tema Urbano Zilles, procura retomar conceitos dos fundamentos da cultura ocidental, onde remonta brevemente a importância de três ícones da Filosofia Antiga: Sócrates, Platão e Aristóteles.
Afinal os pensamentos desses grandes filósofos tornaram-se fundamentos do pensamento ocidental.
O autor inicia a abordagem, através de uma sequência cronológica iniciando sua contribuição primeiramente por Sócrates, atribuindo a este como “O homem que perguntava”. Refaz minuciosamente um panorama histórico retratando cada pensador.
Sobre Sócrates, não poderia deixar de comentar sobre a maneira como argumentava com seus interlocutores. Onde destruía as certezas construídas com bons argumentos, em busca da essência das coisas, onde desenvolve seu método e a dialética para encontrar a verdade, fazendo um exame da alma. Por alma Sócrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante.
Para Sócrates a consciência da ignorância representa no homem uma verdadeira sabedoria. Porém para chegar até ela, provoca a dúvida metódica onde tenta refutar a ignorância através do diálogo, onde por intermédio deste, seus interlocutores terem consciência de que não sabem e posteriormente ao método já os instiga a descobrir a verdade, esta chamada de maiêutica ou parto das ideias. O objetivo dos dois debatedores é sempre o mesmo: chegar a uma definição verdadeira e universal.
Inicialmente buscava descobrir a existência de princípios, podendo ser conceitos, leis que pudessem ser colocados em exame, a reflexão e a discussão. Pois, para ele há conhecimento intelectual que vai além das aparências sensíveis formando na mente um conceito universal.
Posteriormente analisa Platão como o mais importante continuador das obras de Sócrates, em linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de mundos: o mundo sensível e o mundo das ideias. O primeiro é o mundo das aparências, dos sentidos, ou seja, na maneira como percebemos o mundo, de formas e opiniões diferentes. E o mundo das ideias que é proporcionado oconhecimento verdadeiro, através da essência das coisas.
Atingir o mundo das ideias é deslocar os sentidos para o plano do raciocínio. E, afirma que o mundo inteligível existe de maneira mais efetiva que o sensível, sendo ele o verdadeiro mundo real.
O autor também rememora que Platão aborda a questão do aprender a recordar, onde retrata na anamnese a raiz do conhecimento, como uma forma de recordação daquilo que já existe no interior de nossas almas. Onde aprender seria recordar ou reconhecer.
Finaliza abordando do processo do conhecimento através da passagem das sombras e imagens ao luminoso universo das ideias citando como exemplo o mito da caverna.
Já a respeito de Aristóteles dedica muito de sua argumentação, enfatizando ser nele o primeiro a construir uma verdadeira teoria do conhecimento.
Para Aristóteles o conhecimento se expressa por palavras, logo classifica as palavras em várias categorias segundo suas funções, numa proposição.
Aristóteles assim distingue as seguintes categorias:
Categoria de substância – Indica aquilo sobre o qual se afirma algo.Ex: Sócrates é mortal.
Categoria de quantidade – Ex: O triângulo tem 3 lados.
Categoria de Qualidade – Ex: O homem é um animal racional.
Categoria de lugar – Ex: Sócrates se encontra em Agorá. Entre outros.
A esse conjunto de categorias dá-se o nome de proposições, que são classificados em universais e particulares.
Para ser possível o conhecimento é necessário que as proposições afirmem a verdade. Para isso propõe-se o princípio lógico de evidência irrefutável: o princípio da não contradição. E a estas proposições regidas por este princípio formam o conhecimento.
Para Aristóteles a ciência não pode ter outro objeto senão o universal. Atribuindo a ciência como conhecimento verdadeiro e certo. E, apenas através dela podemos chegar à posse dos universais.
Concluindo, foi através desses grandes filósofos que Urbano Zilles demonstrou a grande contribuição destes em relação ao conhecimento, pois com eles pôde ser estabelecida a diferença entre conhecimento sensível e conhecimento intelectual, a diferença entre aparência e essência; a diferença entre opinião e saber e estabelecido as regras da lógica pra se chegar à verdade.
Referência

ZILLES, Urbano. Teoria do Conhecimento. 5 ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2006